Mostrando postagens com marcador veganismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador veganismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de junho de 2010

CAFé-debate feminista 26 de junho


A proposta do evento CAFé promovido pelo Coletivo de Ação Feminista é de começar um espaço cultural ou contracultural feminista, assim como para a visibilidade e incentivo produção de mulheres e para o debate político, exposição de idéias e contestação dos modelos impostos de vida. Um espaço de criatividade, que estimule a produção independente e a formação de outros agrupamentos políticos, apoio a estilos de vida alternativos aos regimes repressivos, ao patriarcado e de enfrentamento ao capitalismo, contrários à lógica de mercado e ao autoritatismo político.

Dar a voz a nós mesmas e divulgar a desconstrução do gênero e das relações assimétricas é um dos passos a serem dados pelas iniciativas feministas. CAFé é o primeiro de muitos espaços a serem tomados politicamente, pois a idéia é de que surjam sempre novas idéias e atitudes e fortalecer o cenário cultural feminista e anti-patriarcal.

Nossas ações são abertas para atingir todxs que estão implicados na construção de outras possibilidades de vida, por isso a presença de todxs que devem aprender do feminismo: homens, mulheres, jovens, velhxs...e neste caso o privilegiamento da voz de garotas numa sociedade em que não temos vozes e queremos começar a falar e nos expressar, repudiar e construir alternativas, fazer visível as limitações e repressões que se tornaram rotinizadas.



DIA 26 DE JUNHO, SÁBADO às 14h

Onde: Inkustom Tattoo Estúdio - Trajano Reis, 335 - próximo ao Largo da Ordem.

Entrada: R$ 5,00.

sábado, 20 de março de 2010

IV Picnic Intervenção





dia 21/03/2010 - DOMINGO
às 15h
No Gramado em frente ao prédio das Varas de Família. Rua Cândido de Abreu, 830
com: Comida vegana, zines, material para escambo e doação, música livre e debate sobre Trabalho, Opressão e Resistência.

Traga sua caneca e suas experiências!




- leia mais sobre a proposta do evento aqui

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

III Picnic Intervenção - Antifascismo


"A proposta do PICNIC INTERVENÇÃO é aglutinar e amarrar indivíduos e coletivos com interesses afins - baseados na luta social, por emancipação da terra, dos animais, da humanidade e entre tantas outras lutas que permeiam nossas vivências. Portanto em cada encontro levantamos uma diferente questão para discutirmos junt=s, buscando alternativas e soluções de libertação, cada vez mais sincera, das nossas vidas e de tod=s com quem convivemos, vivemos e sobrevivemos.

Picnic
porque a idéia é levarmos comida vegana, a fim de exemplificar as diversas possibilidades desta dieta, abrindo pratos para degustação livre às pessoas que passarem e se interessarem.


Intervenção
porque utilizamos temporariamente espaços públicos que não são voltados para esta atividade, ambientes que agora estão impregnados do stress que costuma acompanhar nossa rotina ditada cada vez mais pela autoridade e opressão do capital, com objetivo de questionarmos de que forma os espaços estão sendo utilizados e de como estamos inseridos nos mesmos.


Somado à isso fazemos uma feirinha de troca de materiais (zines, jornais, textos e etc), doação e troca de roupas e objetos em geral que já não utilizamos mas que pode vir a ser útil a outrem. Este será o nosso terceiro encontro e neste meio tempo outras ideias foram surgindo, tais como disponibilização de panfletos com as receitas veganas aos transeuntes, incluirmos a realização de intervenções artística (pintura, grafite e etc), de jardinagem libertária (plantagem de mudas), música livre e etc.


Estão convidad=s tod=s a vir somar ideias e compartilhar experiências, dispost=s à buscar a aproximação daqueles e daquelas que também se encontram entre =s oprimid=s; unindo nossas lutas, angústias, dúvidas e risos!


Traga sua caneca e sua palavra, te esperamos.
"

Obs: Em caso de chuva, o picnic é automaticamente adiado para o domingo seguinte.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Do sentimento de incapacidade e da capacidade


Sempre fui muito insegura e o sentimento de incapacidade faz parte da minha vida, não busco aqui explicações para tais sentimentos, neste momento só posso afirmar que eles são presentes e estavam ali quando eu fazia ou deixava de fazer algo. Em contraposição a isto sempre senti a necessidade de escrever, informar, de lutar por aquilo que acredito e assim acabei me envolvendo em vários grupos, todos direcionados a libertação animal e a grande maioria denominado libertário.

Muito aprendi nesses grupos, principalmente na questão estrutural, mas em contrapartida o sentimento de insegurança aumentava cada vez mais. Era frequente em rodinhas de conversas ou até mesmo em grupos de estudos o debate de temas dos quais eu nunca tinha estudado. As pessoas quando percebiam que eu estava perdida me questionavam "poxa, mas você não sabe isso?". Outra situação constatada é que grande parte das mulheres participantes dos grupos ou estavam ali acompanhando seu companheiros ou eram dominadas por eles. Dominação esta que ficava explicita quando tais mulheres precisavam da aceitação dos seus parceiros para falar e agir dentro dos grupos e da constante pressão de ser utilizada determinada postura que fosse mais conveniente ao companheiro. Quando se posicionavam distintamente ao esperado eram ridicularizadas e deixadas de lado, como não sendo mais útil ao coletivo.

Em um primeiro momento decidi sair dos grupos que fazia parte e me conveci de que realmente era incapaz, após quase um ano afastada, sentindo um vazio imenso e pensando porque as pessoas adotavam tais posturas cheguei a uma conclusão: muitas pessoas não estavam ali pela causa e sim pelo "fetiche" de ser um líder militante, utilizando da dominação, através de desqualificação pessoal e de genero, para manter tal liderança, sistema idêntico ao sistema utilizado pelo patriarcado.

Decidi que não iria me deixar oprimir mas nunca tinha forças suficientes para deixar de ser oprimida, isso porque estava inserida no meio libertário, neste momento pensei em todas as mulheres que são oprimidas rotineiramente e nos efeitos de tal opressão. Percebi o quanto o feminismo é necessário e decidi ir a luta, ainda tenho o sentimento de insegurança e incapacidade mas a cada dia aprendo mais sobre a história de nós mulheres, dos movimentos feministas, de como nos organizarmos para a real libertação da mulher, assim como aprendo com os relatos de companheiras que tem os mesmos sentimentos que eu e a cada dia me sinto mais segura e capaz de promover esta mudança.

Este é um relato pessoal (desabafo) que não expressa a opinião do Coletivo como um todo.

Segue um texto retirado do blog http://feminismoevegetarianismo.blogspot.com/ :

Não é de agora que muitos movimentos vegetarianos vem empreendendo uma verdadeira ‘caça às bruxas’ às mulheres. Ainda é objeto de estudo e intriga a prevalecente misoginia e perseguição dos temas de suas intervenções e eleições retóricas. Algumas organizações já conhecidas e denunciadas são o PETA, que como bem expressou a ativista norte-americana Nikki Craft, uma das pioneiras na denúncia, ‘Apenas mulheres são tratadas como carne’. Na organização referida, mulheres são bem vindas contanto que tirem a roupa para promover a sigla que fatura bilhões com a causa apelativa dos bichinhos. Mulheres também são publicizadas em suas campanhas sendo espancadas portando casacos de pele. O cenário que mostram dá a entender que mulheres e sua ‘odiosa futilidade natural’ são o sustentáculo maior da opressão sobre animais nos planetas. Claro que a indústria da moda e do couro são esquecidas nessas horas: seria demais pôr o Capitalismo mundial e sua verdadeira chefia (Patriarcado e classe de homens em suas formas atuais) abaixo: são preteríveis as causas mais distrativas e populares – como o ódio a mulher, que tanto solidariza pessoas ao redor do mundo.

Não bastando, no Brasil, no último 8 de março em São Paulo, junto aos partidos políticos, homens veganos invadem a manifestação de mulheres distribuindo panfletos de causa animal, sendo esta data uma das únicas onde mulheres podem ter alguma visibilidade para suas próprias causas.

Caça às bruxas
Num dos panfletos distribuídos, intitulado ‘Libertação: de gênero e de espécie’A Vegan Staff diz basicamente que todas as mulheres não-vegetarianas ou vegans são comodistas, incoerentes, negligentes, limitadas e hipócritas (‘Muitas militantes feministas negligenciam a causa da libertação animal não humana, seja por comodismo, incoerência ideológica, ou ignorância. E erroneamente, insistem em consumir ingredientes de origem animal, assim como a sustentar empresas que fazem testes em animais’). A organização que até esta data não se comprometeu com nenhum trabalho feminista sério acusa feministas, questiona credibilidade da sua causa e impõe a mulheres, especialmente grupos sem poder como feministas e negras, seu recorte político amesquinhado, exigindo adoção de um paradigma pobre e masculino e ao mesmo regulando condutas de mulheres, exigindo 'coerência'.

Já sabemos como movimento feminista sofre perseguição é segue sendo queimado nas fogueiras inquisitoriais até hoje.

Ao invés de oferecerem subsídios úteis para a compreensão e combate ao paradigma masculino, o representam e o protegem quando dizem a mulheres o que devem ou não fazer, valendo-se de tom autoritário e coercitivo tipicamente supremacistas masculinos (“ou continuarão hipócritas,” “Portanto, torne-se vegetariana, negue...ou...”). De um lugar muito favorável e confortável (privilégio masculino e não sofrer os prejuízos da opressão no acesso a recursos de compreensão, voz, reconhecimento de liderança e idiossincrasias próprias) exercem-se como juízes das mulheres, avaliando negativamente movimento de mulheres, condenando e pressionado, exigindo posturas que lhes convenham, coisas que Patriarcado há séculos tradicionalmente faz.

Destituídos de contexto histórico e social culpabilizam mulheres acusando-as de “sustentar” empresas especistas com suas “insistências errôneas”, quando é o trabalho explorado de mulheres trabalhadoras que sustenta tais empresas. Clamam por um consenso sobre o que fazer com animais, quando não há sequer um nesta sociedade de que mulheres são seres humanos.

Apropriam-se de forma hipócrita de discursos e produções teóricas feministas para manipular mulheres a seus próprios propósitos, uma violência típica (opressor não pode falar por oprimido) quando sabemos que a organização e os movimentos veganos em geral compõem-se de uma maioria masculina (ou ao menos, sua direção inquestionavelmente o é).

Instrumentalizar saberes feministas é um ataque a autonomia das mulheres, constitui-se em um roubo da fala e espaço que segue nos silenciando. Homens não podem falar pela nossa experiência. Eles não a vivem, não estão autorizados. Conseqüentemente, soa ditatorial e inquisitório, senão subestimador (algo como ‘elas não podem levar sua luta por si próprias, precisam ser ensinadas, o que é feminismo e ser coerente politicamente’).

Diz o que devemos fazer ou não (‘...não há como feministas contra-argumentarem ou negligenciarem a libertação animal’).

Subtendende-se pelo tom disciplinário de suas advogações uma misoginia implícita que intenta corrigir mulheres que, ‘desobedientemente’, comem carne ou derivados.

Naturalizam o Patriarcado, esbarrando sempre em posturas essencialistas, dicotomizando e reificando naturezas ‘homem’ e ‘mulher’, reproduzindo dualismos classicamente misóginos onde o patriarcado representa o pólo agressivo e racional e o Matriarcado pacifista e dócil, preparadas para receber ordens e abdicar de suas subjetividades por uma causa comum (‘regime matriarcal era comunitário’, natureza feminina é solidária). Infere-se aí quase um ‘manual de boa conduta’ do que seria representar uma mulher/feminilidade ideal (agora, reformada e politizada, requerindo a esposa perfeita do homem esclarescido e justiceiro vegano). Mulheres devem ser boas, solidárias e sempre de pernas abertas a suas causas. A punição, ameaçam, é o vexame público. ('ou continuarão hipócritas').

O veganismo não vai libertar as mulheres.
O feminismo não deve nada a ninguém, exceto seu sujeito político, as mulheres, jamais contemplado na História escrita pelos grandes machos. Não necessita de leitura anti-especista ou mesmo anti-capital para ser legitimado e sequer as diversas condições das mulheres pelo mundo averiguadas para serem levada a sério e ter espaço para sua voz, para que o que nos tenham a dizer seja importante e significativo por si só.

Vegan Staff, homens anarquistas, homens libertários, homens pró-feministas e maridos esquerdistas, homens em geral: Vocês não podem falar pelo homossexuais, negros e mulheres. E pelo visto nem pelos animais.

O sujeito do feminismo são as mulheres e somente estas podem elaborar e que termos levar suas lutas de forma individual e coletiva, suas necessidades imperativas e como sentem questões de opressão, inclusive dentro de movimentos comunitários, políticos e sociais e então, dentro do movimento dos direitos animais em que garotas estejam, reféns de um histórico e maioria notadamente masculinista e heterosexual, quando estes últimos mesmos não atuam em conjunto com as facínoras ideologias e instituições sociais pró-vidas que seguem matando mulheres ao dificultar sua luta por direitos sexuais e reprodutivos, acesso a aborto legal, público e gratuito.

Não demande que levemos sua alienação classe-média-branca-higienista-conservadora-moralizante a sério.

Somente nós poderemos elaborar os termos de nossa própria Libertação e Humanização.

Somente nós poderemos considerar quão veganismo ajudará neste processo, quando a divisão de alimentos no planeta tradicionalmente privilegia homens (fazendo com que em muitos países, vegetarianismo seja justamente compulsório à mulheres já que carne é privilégio econômico e simbolicamente instituído como masculino, mais ou menos como por aqui onde garotas morrem por anorexia e regimes alimentares que patriarcalmente instituídos visam debilitar saúde da mulher que, independente de constarem carne ou não, seguem nas matando, principalmente às pobres e negras).

Abaixo o constrangimento oral de mulheres por homens
Sim ao vegetarianismo considerado em nossos próprios termos. Sim a educação alimentar não misógina que fortaleça mulheres a continuarem suas lutas e disporem de qualidade de vida , que depende não somente de boa alimentação e acesso a meios de saúde e contracepção, mas também na extinção da heterosexualidade compulsória, pornografia e outros regimes masculinos de risco que tornam sua vida um estado constante de medo, estresse e comedimento.

Sim ao estudo mais sério do vegetarianismo e sua conveniência à causa das mulheres.

Sim à ciência das mulheres.

Não a tradicional disposição de nossos ouvidos, corpos e vontades aos homens detentoresda verdade.

Mulheres, antes de qualquer coisa: acreditem em vocês mesmas.

sábado, 12 de setembro de 2009

4ª Verdurada Curitiba

Este Domingo - 13/09

15h
(chegue cedo) - Entrada: $7

Local: CELU (Casa do Estudante Luterano)
Rua Carlos Cavalcanti, 239 (em frente ao Passeio Público)

Bandas:
Discarga (SP)
Positive Youth (SP)
Onde eu me Encaixo? (GPVA)
BITCH (GPVA)
Through the Storm

Debate:
"Hardcore e Política - Problema seu ou problema nosso?"
Proponente: Rodrigo Ponce


Jantar VEGetariANO grátis no final - Por favor, sem bebidas e cigarros
.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

PETA E A CULTURA PORNOGRÁFICA



Uma Análise Feminista de “Eu Prefiro Ir Nua do que Usar Pele”

por Carol Adams


Tradução: Coletivo Madu

Muitas de nós em Feministas pelos Direitos Animais temos fortes sentimentos pela campanha publicitária do PETA, e eu quero dividir algumas das preocupações que surgem de alguém como eu, posicionada simultaneamente no movimento feminista e no movimento de defesa animal.

1. Uma conexão existe entre o tratamento de mulheres e o tratamento de animais. Esta conexão é basicamente um processo epistemológico no qual um sujeito se conhece através da objetificação de outros. Filosoficamente falando, epistemologia se refere a como nós sabemos o que sabemos e como ganhamos conhecimento. Uma epistemologia patriarcal responde à diferença (como raça, sexo, espécie) rotulando aquelas e aqueles que são diferentes como “outros”, e então objetificando quem são “outros”, de modo que sejam usados instrumentalmente. Ecofeministas chamam isto de uma “hierarquia de valores”, no qual o poder é inscrito sobre quem possui menos valor e este indivíduo é, portanto, visto como tendo menos valor. Uma feminista cunhou o termo “somatofobia” para se referir à hostilidade ao corpo. Em nossa cultura, o corpo tem menos valor que a mente ou a alma; logo, qualquer pessoa igualada com o corpo irá também ser não valorizada ou sub-valorizada. Este conceito nos ajuda a reconhecer o relacionamento entre diferentes formas de opressão: aqueles e aquelas igualadas com corpos (como pessoas de côr, animais e mulheres) ao invés de mentes ou almas (como pessoas brancas, seres humanos e homens) são oprimidas em nossa cultura por causa desta equação com o corpo e com umas às outras.


2. O problema é que este processo epistemológico, se sucedido, se torna invisível, e nós pensamos que estamos debatendo ontologia. Em outras palavras, o debate é mantido no nível de quem somos (ontologia) ao invés de como nós adquirimos o conhecimento de quem nós somos. Deixe-me dar um exemplo específico ao movimento de direitos animais. Algumas pessoas realmente vêem animais como “carne”: “para que outra coisa eles existem?” elas pensam, “eles existem para serem nossa carne”. Como sabemos, não há nada intrínseco à existência de um animal que o faz “carne”; é a posição do conhecimento de alguns seres humanos que os vê desta forma. Uma maneira ecofeminista de colocar isto é que quem está “acima” na hierarquia de valores, neste caso seres humanos, vê aqueles e aquelas que estão “abaixo”, neste caso animais, como usáveis, e desta visão vem a conclusão de que isto é o porquê de animais existirem: para serem de uso.

3. É também o mesmo processo epistemológico que vê corpos de mulheres pornograficamente. Pornografia foi historicamente uma maneira de homens instituírem seu estatuto de sujeito tendo outros que têm o estatuto de objetos. Como Susanne Kappeler diz em A Pornografia da Representação, a subjetividade dominante na cultura patriarcal é construída através da objetificação de outros. Aqui está um exemplo deste tipo de análise, uma análise clássica por Laura Mulvey do que é chamado o olhar masculino: “Em um mundo ordenado por desequilíbrio sexual, o prazer em observar foi dividido entre ativo/masculino e passivo/feminino. O olhar determinante masculino (humano) projeta sua fantasia sobre a figura da fêmea (humana), que é estilizada de acordo. Em seu tradicional papel exibicionista, mulheres são simultaneamente fitadas e expostas, com sua aparência codificada para forte impacto visual e erótico para que possa ser dito que elas conotam “fitabilidade”.
Esta dificuldade em perceber o quanto a subjetividade confia nesta “fitabilidade” também explica a atração de uma campanha “nua”, porque ela vai ter atenção da mídia, já que a mídia é a fonte primária de encorajamento da “fitabilidade” da mulher. Esta dificuldade em perceber como a subjetividade dominante confia nesta “fitabilidade” também explica os problemas inerentes ao debate da campanha “nua” - algumas pessoas o vêem de uma forma, enquanto outras a vêem de outra. Em outras palavras, porque o epistemológico permanece invisível nós terminamos debatendo o ontológico.

4. Dada esta análise, a campanha “eu prefiro ir nua do que usar pele” é intrinsicamente problemática, provocando um debate de meios/fins entre nós. Mas a reviravolta adicional que ocorre com o anúncio da Pati Davis não é somente sua aliança com a Playboy, a qual fez o mal a mulheres através da pornografia um entretenimento de homens (porque ela leva adiante a objetificação da mulher, e reproduz dominação sexualizada), mas a preocupação especifica da bestialidade e a associação de Hugh Heffner com esta forma de pornografia. Sobre isto, ver Linda Lovelace, Ordeal, especificamente a p. 194: “Então Heffner disse que apesar de ele gostar de Garganta Profunda, ele estava mais interessado pelo filme que eu faria com um cachorro (sexo forçado por seu marido violento descrito nas páginas 105-113)”.

“Oh, você viu aquilo?” Chuck (seu marido violento) disse. “Oh aquilo foi ótimo,” Heffner disse, “Você sabe que nós já tentamos várias vezes, tentamos colocar uma garota e um cão juntos, mas nunca funcionou.” “Sim, isso pode ser bem complicado,” Chuck disse, “a mina tem que saber o que ela está fazendo.” “Isso é algo que eu gostaria de ver,” Heffner disse, “Eu acho que vi todo filme de animal (sic) já feito mas–”. Então Chuck oferece Linda como uma participante “voluntária”.

E então nós voltamos à minha primeira premissa, de que há uma conexão entre o tratamento das mulheres e o tratamento dos animais. Neste caso, o ponto de interseção é o uso pornográfico da bestialidade, no qual aquelas e aqueles de nós de atividade no movimento contra violência contra mulheres sabemos que é frequentemente uma ocasião para violentadores/estupradores maritais forçarem sexo entre um animal e sua parceira feminina. Eles tentam reproduzir a pornografia que consomem.

Nossa reclamação não é apenas a nº 4, por exemplo, que esta campanha publicitária – para qualquer pessoa com conhecimento do testemunho de Linda Lovelace – dá dicas de associação de Hugh Heffner com bestialidade, mas mais compreensivelmente o encontrado teoricamente na minha primeira premissa: que o nº 4 é inevitável por causa da posição epistemológica da objetificação. Vamos deixar isto claro. O problema não é que o PETA falha em reconhecer a interconexão do tratamento dos animais e o tratamento das mulheres. O problema é que, ao menos que reconheçam violência sexual masculina e como esta objetificação toma lugar perante o patriarcado, não vão verdadeiramente entender a violência contra animais.

Para um projeto no qual eu estou trabalhando sobre pornografia e animais, eu estive conversando com feministas que fazem campanha contra a pornografia ao redor do país. O que eu achei fascinante é que, apesar de eu não poder presumir que uma feminista, só porque ela é feminista, leu As Políticas Sexuais da Carne, eu tenho segurança em presumir que feministas anti-pornografia o leram. Como o reconhecimento do meu trabalho estava acontecendo, quando eu ligava para feministas eu não sabia perguntar a elas sobre o que elas acham que está acontecendo com pornografia que apresenta animais, me fez perceber que estes grupos de feministas realmente compreendem e entendem como o processo de objetificação afeta animais, sobre o que nós ativistas dos direitos animais tentamos educar as pessoas. Eu descobri uma afinidade entre sua análise e nossa análise. Esta é uma razão pela qual a campanha “nua” é tão perturbadora: um grupo aliado, muito familiarizado com a experiência de Linda Lovelace, é agora apresentado com uma campanha que anuncia que direitos animais não compreendem a objetificação de mulheres em geral, e especificamente sobre a origem do patriarcado na opressão de animais. Isto, para mim, é muito triste.

Mais sobre Linda Lovalace:
“A Verdadeira Linda Lovalace”, de Gloria Steinem

*Esse post foi feito pela Cris. Também foi transformado em panfleto do CAF.