quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ato pelos Direitos Animais


Olá amiga(o)s!
Pelo Dia Mundial do Vegetarianismo (01/10) e Dia Mundial dos Animais (04/10), ONCA e Grupo FERA convidam para um ATO PELOS DIREITOS ANIMAIS, onde estaremos abordando o tema do Direito do Animal, tanto quanto aos domesticados como aos usados em entretenimentos, alimentação ou outros fins.
SÁBADO03/OUTUBRO/2009BOCA MALDITA, RUA XV (próx. ao Bondinho)das 9h as 15h
*Haverá trechos de literaturas e material impresso para leitura no local.
*E também estaremos distribuindo material informativo básico grátis. Ambientalistas, protecionistas, vegetarianos, veganos, pacifistas, ativistas e simpatizantes de uma forma geral, compareçam!
-OS ANIMAIS ESTÃO PRESOS, ELES PRECISAM QUE VOCÊ VÁ POR ELES!
Contamos com todos vocês lá!


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

28 de Setembro: Dia latino-americano e Caribenho de Luta pela Legalização do Aborto e femicídios em Curitiba: Qual a relação?


Nesta última sexta-feira, dia 18 de setembro de 2009, foi publicada uma matéria na Gazeta do Povo intitulada "No alvo, a mulher", relatando que em média 3 mulheres são assassinadas por semana em Curitiba e região e alertando o aumento de crimes em que as vítimas são mulheres. Inicialmente é importante lembrar que há uma reivindicação do movimento feministas de destacar as mortes de mulheres pelo termo 'femicídio', indicando a especificidade de gênero contida nos crimes contra mulheres.
Após a leitura desta matéria pensamos: "qual a relação entre os assassinatos, a clandestinidade do aborto e os altos índices ainda existentes de mortalidade materna, além de outras causas de morte especificamente femininas"?

Mulheres estão morrendo, basicamente, por fatores tais como: violência doméstica, falta de assistência ao parto e atenção pré-natal e complicações por abortamento inseguro, além de crimes de ódio, como lesbofobia e violência sexual. Os índices relativos à saúde feminina não são otimistas e nos mostram que as dificuldades enfrentadas por mulheres no acesso à essa derivam das políticas sexistas que historicamente as definem como propriedade dos homens e os impactos reais da desigualdade de gênero e das idéias culturais da sua inferioridade.
As mortes e outras formas de exposição não são casuais, e sim estão integradas como uma política sexual que, com recursos ideológicos, materiais, psicológicos e culturais, procura manter mulheres numa posição subordinada, de forma a melhor explorar e dispôr de seus recursos (reprodução, cuidados, trabalho doméstico). A violência masculina e sua educação para 'serem homens' (viris, bélicos) vem como mecanismo para fazer com que cada um deles se encarregue por manter esse regime - o regime Patriarcal - assim como as mortes de aborto e lesbofobia também representam uma 'punição' às mulheres que transgridem a condição de gênero e social que lhes é imputada. Pode-se dizer que funcionam até mesmo como uma ameaça: não ousem ir muito longe.
Podemos concluir que o Patriarcado está exterminando as mulheres, uma vez que a morte é o ponto culminante do controle quando os demais mecanismos a manter um grupo subjugado falharam. E este extermínio está sendo legitimado por lei - criminalização do aborto que faz com que milhares de mulheres se submetam a procedimentos em condições precárias-, pela falta de assistência básica a sáude da mulher, ou em decorrência da impunidade com que são tratados os agressores, que é resultante da própria desigualdade de poder entre os gêneros, submetendo a população feminina a uma maior vulnerabilidade e limitando a tutela de direitos a vida, bem como a falta de autonomia no processo jurídico.
Procurar viver como se deseja, seguir seus projetos e ter integridade física e mental acaba por representar uma batalha individual para muitas de nós, mas o Movimento Feminista nos mostra a importância de fazer essa luta em conjunto e reconhecer politicamente os problemas que nos atingem. Afinal, 'O Pessoal é Político'!
texto realizado coletivamente pelo CAF.

outras fontes:

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

28 de setembro - mobilização em defesa das mulheres e pela legalização do aborto (CANCELADO EM DECORRÊNCIA DA CHUVA)

No dia 28 de setembro, das 11:00 às 13:00, na Rua XV de Novembro (frente do Bondinho) a Articulação de Mulheres Brasileiras irá realizar uma mobilição em defesa das mulheres e pela legalização do aborto. Será realizada uma panfletagem e serão coletadas assinaturas apoiando o manifesto. Convidamos a todas para participarem.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

IX Edição do Café com Debate

No dia 24 de setembro estará sendo realizado o IX Edição do Café com Debate, no qual o tema abordado será: "Aborto uma questão de saúde pública", exposição da Dra. Alaerte Leandro. O Café ocorrerá no Espaço Cultural do SEEB Curitiba, Rua Piquiri, 380, das 17:30 às 19:00.

Previamente a este encontro, às 17:00, estará estará sendo discutida a possibilidade da criação de um grupo de estudos sobre o tema, objetivando fortalecimento de argumentos.
Interessadas entar em contato pelo e-mail dorismargareth@terra.com.br

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Convite - Café Feminista (Marcha Mundial das Mulheres)

A marcha estará promovendo esta sexta-feira às 19h um café feminista com palestra no tema "Seus Direitos, Nossos Direitos, Direitos Humanos - Pelo fim da Violência e da Impunidade".


Dia 25 de setembro às 19h no Sismuc (Rua Mosenhor Celso, 225, 9o andar).

postado por J.

DIA MUNDIAL SEM CARRO & MARCHA DAS 1000 BIKES

Setembro é o mês da Bicicleta em Curitiba:

O coletivo Interlux Arte Livre, responsável pela programação do evento ARTE BICICLETA MOBILIDADE de 2009 e integrantes da Bicicletada de Curitiba programaram atividades para amanhã, dia 22, o Dia Mundial Sem Carro.


22 de Setembro, Terça-Feira:


12h – mobilização na Praça Santos Andrade rumo à Câmara dos Vereadores

16h – Vaga Viva pelo Centro e Música Para Sair da Bolha

18h30 – Marcha das 1000 bicicletas


Visite http://artebicicletamobilidade.wordpress.com/ para maiores informações.



A prefeitura de Curitiba também realizará eventos no Centro e nos bairros


No Centro da cidade serão fechados ao trânsito o trecho mais central da avenida Marechal Deodoro - da rua João Negrão à Marechal Floriano Peixoto; os acessos à praça Tiradentes; e a rua Barão do Rio Branco entre o Paço Municipal e a André de Barros. Apenas ônibus, bicicletas, pessoas a pé e veículos de serviços essenciais e de emergência terão acesso aos trechos interditados.

No espaço normalmente usado pelos carros, estas ruas vão abrigar terráreo, Condomínio da Biodiversidade, feira de produtos orgânicos, atrações artísticas, jogos e brinquedos, educação de trânsito, artesanato, exames de saúde e uma série de outras atividades de lazer e serviços para a população.

As outras atividades estão programadas para acontecer no Boa Vista, Boqueirão, Cajuru, CIC, Pinheirinho, Portão e Santa Felicidade, mais informações aqui.

Lembrando que em todos os últimos sábados do mês acontece a Bicicletada de Curitiba. Saída às 10h no pátio da Reitoria da UFPR.
http://bicicletadacuritiba.wordpress.com/



Meninas, é hora de colocar o pé no pedal!

C.Z.

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mais um informe sobre o Dia Mundial Sem Carros:


Jornada Mundial na cidade sem meu carro

evento da Casa do Trabalhador


Nessa terça-feira, dia 22 de setembro, uma série de eventos em todo o mundo celebra a Jornada Mundial na cidade sem meu carro.

Aqui em Curitiba, o movimento social promove o debate "Os desafios da Terra habitável para a economica contemporânea" com o ambientalista Henrique Cortez (EcoDebate/RJ) e Raska Rodrigues (Secretário do Meio Ambiente do PR).O debate acontecerá no SENGE às 19hs.

Participe e divulgue!

Sindicato dos Engenheiros (Senge) - CCI Itália, 22º andar, Rua Mal Deodoro, 630, CCI - 22º andar.

Informações: Cepat (3349-5343)
Promoção: CEPAT; SENGE; IHU; ITCG
casatrabalhador@terra.com.br

domingo, 20 de setembro de 2009

Manifestação na Parada Gay dia 27 de setembro

No próximo domingo acontecerá a Parada da Diversidade, na Praça do Homem Nu (ou Praça 19 de Dezembro localizada na Avenida Cândido de Abreu, próximo ao Shopping Muller).
Estaremos lá junto a outros grupos levando faixas e cartazes para chamar atenção para a Visibilidade Lésbica, Direitos Reprodutivos (para o 28 de setembro, dia latino-americano e caribenho pela legalização do aborto) e os recentes assassinatos de homossexuais, também realizando uma panfletagem no tema da visibilidade lésbica.

Estamos recomendando a quem queira participar, que venham vestidas/os de preto, pois é assim que nos identificaremos e destacaremos, e que tragam materiais para confecção de cartazes*, apitos e outros recursos.

domingo 27 - 13h - na praça do Homem Nu. Tod@s convidadas!!


* Sábado, 26/09 após a reunião do CAF haverá confecção de materiais para a parada. Estão tod@s convidad@s a participar, é só trazer tinta e o que mais achar necessário!


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Maratona da Diversidade

No próximo domingo, dia 20 de setembro será realizada a “Maratona da Diversidade” em Curitiba na praça Oswaldo Cruz.

Haverá competições de futsal, voleibol e outras modalidades “alternativas” (arremesso de bolsas, corrida de revezamento de camisinhas e corrida com salto alto). A maratona é organizada pela Associação Paranaense da Parada da Diversidade LGBT (APPAD) e o intuito é incentivar a prática de esportes, dar visibilidade axs atletas LGBT e também trabalhar a conscientização na prevenção da AIDS e outras DSTs. Durante o evento, voluntárixs trabalharão com a divulgação da campanha “Fique Sabendo – Faça o teste de Aids”, iniciativa do Departamento Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde incentivada pela Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba e da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná.

Programação:
Domingo – 20/09

09h30 às 12h30 – Futsal
12h30 às 13h30 – Intervalo
13h30 às 14h30 – Arremesso de bolsas
14h30 às 15h30 – Corrida de revezamento de camisinhas
15h30 às 18h30 – Voleibol
18h30 – Corrida com “salto alto”
19h – Encerramento (partida de voleibol com Drags Queens da “cena” curitibana sob o comando da drag Lana Kill)

Local: Praça Oswaldo Cruz – Avenida Visconde de Guarapuava, n° 3698 – Centro – em frente ao Shopping Curitiba.

*As inscrições para participar das modalidades já foram encerradas. As inscrições para os jogos alternativos são limitadas e podem ser feitas com antecedência por e-mail: appadpr@yahoo.com.br ou pelo fone (41) 3222 3999 ramal 29.

Mais informações sobre a Maratona no site: http://paradadadiversidade.org.br/

Sobre a Campanha “Fique Sabendo”: http://www.aids.gov.br/fiquesabendo/


(Direcionado do blog O Marinheiro: http://omarinheiro.wordpress.com)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Do sentimento de incapacidade e da capacidade


Sempre fui muito insegura e o sentimento de incapacidade faz parte da minha vida, não busco aqui explicações para tais sentimentos, neste momento só posso afirmar que eles são presentes e estavam ali quando eu fazia ou deixava de fazer algo. Em contraposição a isto sempre senti a necessidade de escrever, informar, de lutar por aquilo que acredito e assim acabei me envolvendo em vários grupos, todos direcionados a libertação animal e a grande maioria denominado libertário.

Muito aprendi nesses grupos, principalmente na questão estrutural, mas em contrapartida o sentimento de insegurança aumentava cada vez mais. Era frequente em rodinhas de conversas ou até mesmo em grupos de estudos o debate de temas dos quais eu nunca tinha estudado. As pessoas quando percebiam que eu estava perdida me questionavam "poxa, mas você não sabe isso?". Outra situação constatada é que grande parte das mulheres participantes dos grupos ou estavam ali acompanhando seu companheiros ou eram dominadas por eles. Dominação esta que ficava explicita quando tais mulheres precisavam da aceitação dos seus parceiros para falar e agir dentro dos grupos e da constante pressão de ser utilizada determinada postura que fosse mais conveniente ao companheiro. Quando se posicionavam distintamente ao esperado eram ridicularizadas e deixadas de lado, como não sendo mais útil ao coletivo.

Em um primeiro momento decidi sair dos grupos que fazia parte e me conveci de que realmente era incapaz, após quase um ano afastada, sentindo um vazio imenso e pensando porque as pessoas adotavam tais posturas cheguei a uma conclusão: muitas pessoas não estavam ali pela causa e sim pelo "fetiche" de ser um líder militante, utilizando da dominação, através de desqualificação pessoal e de genero, para manter tal liderança, sistema idêntico ao sistema utilizado pelo patriarcado.

Decidi que não iria me deixar oprimir mas nunca tinha forças suficientes para deixar de ser oprimida, isso porque estava inserida no meio libertário, neste momento pensei em todas as mulheres que são oprimidas rotineiramente e nos efeitos de tal opressão. Percebi o quanto o feminismo é necessário e decidi ir a luta, ainda tenho o sentimento de insegurança e incapacidade mas a cada dia aprendo mais sobre a história de nós mulheres, dos movimentos feministas, de como nos organizarmos para a real libertação da mulher, assim como aprendo com os relatos de companheiras que tem os mesmos sentimentos que eu e a cada dia me sinto mais segura e capaz de promover esta mudança.

Este é um relato pessoal (desabafo) que não expressa a opinião do Coletivo como um todo.

Segue um texto retirado do blog http://feminismoevegetarianismo.blogspot.com/ :

Não é de agora que muitos movimentos vegetarianos vem empreendendo uma verdadeira ‘caça às bruxas’ às mulheres. Ainda é objeto de estudo e intriga a prevalecente misoginia e perseguição dos temas de suas intervenções e eleições retóricas. Algumas organizações já conhecidas e denunciadas são o PETA, que como bem expressou a ativista norte-americana Nikki Craft, uma das pioneiras na denúncia, ‘Apenas mulheres são tratadas como carne’. Na organização referida, mulheres são bem vindas contanto que tirem a roupa para promover a sigla que fatura bilhões com a causa apelativa dos bichinhos. Mulheres também são publicizadas em suas campanhas sendo espancadas portando casacos de pele. O cenário que mostram dá a entender que mulheres e sua ‘odiosa futilidade natural’ são o sustentáculo maior da opressão sobre animais nos planetas. Claro que a indústria da moda e do couro são esquecidas nessas horas: seria demais pôr o Capitalismo mundial e sua verdadeira chefia (Patriarcado e classe de homens em suas formas atuais) abaixo: são preteríveis as causas mais distrativas e populares – como o ódio a mulher, que tanto solidariza pessoas ao redor do mundo.

Não bastando, no Brasil, no último 8 de março em São Paulo, junto aos partidos políticos, homens veganos invadem a manifestação de mulheres distribuindo panfletos de causa animal, sendo esta data uma das únicas onde mulheres podem ter alguma visibilidade para suas próprias causas.

Caça às bruxas
Num dos panfletos distribuídos, intitulado ‘Libertação: de gênero e de espécie’A Vegan Staff diz basicamente que todas as mulheres não-vegetarianas ou vegans são comodistas, incoerentes, negligentes, limitadas e hipócritas (‘Muitas militantes feministas negligenciam a causa da libertação animal não humana, seja por comodismo, incoerência ideológica, ou ignorância. E erroneamente, insistem em consumir ingredientes de origem animal, assim como a sustentar empresas que fazem testes em animais’). A organização que até esta data não se comprometeu com nenhum trabalho feminista sério acusa feministas, questiona credibilidade da sua causa e impõe a mulheres, especialmente grupos sem poder como feministas e negras, seu recorte político amesquinhado, exigindo adoção de um paradigma pobre e masculino e ao mesmo regulando condutas de mulheres, exigindo 'coerência'.

Já sabemos como movimento feminista sofre perseguição é segue sendo queimado nas fogueiras inquisitoriais até hoje.

Ao invés de oferecerem subsídios úteis para a compreensão e combate ao paradigma masculino, o representam e o protegem quando dizem a mulheres o que devem ou não fazer, valendo-se de tom autoritário e coercitivo tipicamente supremacistas masculinos (“ou continuarão hipócritas,” “Portanto, torne-se vegetariana, negue...ou...”). De um lugar muito favorável e confortável (privilégio masculino e não sofrer os prejuízos da opressão no acesso a recursos de compreensão, voz, reconhecimento de liderança e idiossincrasias próprias) exercem-se como juízes das mulheres, avaliando negativamente movimento de mulheres, condenando e pressionado, exigindo posturas que lhes convenham, coisas que Patriarcado há séculos tradicionalmente faz.

Destituídos de contexto histórico e social culpabilizam mulheres acusando-as de “sustentar” empresas especistas com suas “insistências errôneas”, quando é o trabalho explorado de mulheres trabalhadoras que sustenta tais empresas. Clamam por um consenso sobre o que fazer com animais, quando não há sequer um nesta sociedade de que mulheres são seres humanos.

Apropriam-se de forma hipócrita de discursos e produções teóricas feministas para manipular mulheres a seus próprios propósitos, uma violência típica (opressor não pode falar por oprimido) quando sabemos que a organização e os movimentos veganos em geral compõem-se de uma maioria masculina (ou ao menos, sua direção inquestionavelmente o é).

Instrumentalizar saberes feministas é um ataque a autonomia das mulheres, constitui-se em um roubo da fala e espaço que segue nos silenciando. Homens não podem falar pela nossa experiência. Eles não a vivem, não estão autorizados. Conseqüentemente, soa ditatorial e inquisitório, senão subestimador (algo como ‘elas não podem levar sua luta por si próprias, precisam ser ensinadas, o que é feminismo e ser coerente politicamente’).

Diz o que devemos fazer ou não (‘...não há como feministas contra-argumentarem ou negligenciarem a libertação animal’).

Subtendende-se pelo tom disciplinário de suas advogações uma misoginia implícita que intenta corrigir mulheres que, ‘desobedientemente’, comem carne ou derivados.

Naturalizam o Patriarcado, esbarrando sempre em posturas essencialistas, dicotomizando e reificando naturezas ‘homem’ e ‘mulher’, reproduzindo dualismos classicamente misóginos onde o patriarcado representa o pólo agressivo e racional e o Matriarcado pacifista e dócil, preparadas para receber ordens e abdicar de suas subjetividades por uma causa comum (‘regime matriarcal era comunitário’, natureza feminina é solidária). Infere-se aí quase um ‘manual de boa conduta’ do que seria representar uma mulher/feminilidade ideal (agora, reformada e politizada, requerindo a esposa perfeita do homem esclarescido e justiceiro vegano). Mulheres devem ser boas, solidárias e sempre de pernas abertas a suas causas. A punição, ameaçam, é o vexame público. ('ou continuarão hipócritas').

O veganismo não vai libertar as mulheres.
O feminismo não deve nada a ninguém, exceto seu sujeito político, as mulheres, jamais contemplado na História escrita pelos grandes machos. Não necessita de leitura anti-especista ou mesmo anti-capital para ser legitimado e sequer as diversas condições das mulheres pelo mundo averiguadas para serem levada a sério e ter espaço para sua voz, para que o que nos tenham a dizer seja importante e significativo por si só.

Vegan Staff, homens anarquistas, homens libertários, homens pró-feministas e maridos esquerdistas, homens em geral: Vocês não podem falar pelo homossexuais, negros e mulheres. E pelo visto nem pelos animais.

O sujeito do feminismo são as mulheres e somente estas podem elaborar e que termos levar suas lutas de forma individual e coletiva, suas necessidades imperativas e como sentem questões de opressão, inclusive dentro de movimentos comunitários, políticos e sociais e então, dentro do movimento dos direitos animais em que garotas estejam, reféns de um histórico e maioria notadamente masculinista e heterosexual, quando estes últimos mesmos não atuam em conjunto com as facínoras ideologias e instituições sociais pró-vidas que seguem matando mulheres ao dificultar sua luta por direitos sexuais e reprodutivos, acesso a aborto legal, público e gratuito.

Não demande que levemos sua alienação classe-média-branca-higienista-conservadora-moralizante a sério.

Somente nós poderemos elaborar os termos de nossa própria Libertação e Humanização.

Somente nós poderemos considerar quão veganismo ajudará neste processo, quando a divisão de alimentos no planeta tradicionalmente privilegia homens (fazendo com que em muitos países, vegetarianismo seja justamente compulsório à mulheres já que carne é privilégio econômico e simbolicamente instituído como masculino, mais ou menos como por aqui onde garotas morrem por anorexia e regimes alimentares que patriarcalmente instituídos visam debilitar saúde da mulher que, independente de constarem carne ou não, seguem nas matando, principalmente às pobres e negras).

Abaixo o constrangimento oral de mulheres por homens
Sim ao vegetarianismo considerado em nossos próprios termos. Sim a educação alimentar não misógina que fortaleça mulheres a continuarem suas lutas e disporem de qualidade de vida , que depende não somente de boa alimentação e acesso a meios de saúde e contracepção, mas também na extinção da heterosexualidade compulsória, pornografia e outros regimes masculinos de risco que tornam sua vida um estado constante de medo, estresse e comedimento.

Sim ao estudo mais sério do vegetarianismo e sua conveniência à causa das mulheres.

Sim à ciência das mulheres.

Não a tradicional disposição de nossos ouvidos, corpos e vontades aos homens detentoresda verdade.

Mulheres, antes de qualquer coisa: acreditem em vocês mesmas.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Oficina em Direitos Reprodutivos

A AMB está organizando, dia 19 agora, uma oficina de capacitação para abordar o tema do aborto. Vai ser aberta a mulheres que são a favor da legalização, para afiar os argumentos:

Referente ao dia 28 de setembro - Dia Internacional de Luta pela Descriminilização do Aborto na América Latina e Caribe


Algumas atividades agendadas:

Dia 19 de setembro - Oficina - Saúde sexual e reprodutiva - 9h às 18h -
Local - Espaço Cultural do SEEB Curitiba - Rua Piquiri, 380



Promoção - Fórum Popular de Mulheres - Responsáveis - Eliana - CUT-PR e Doris - AMB
Interessadas entar em contato pelo e-mail
dorismargareth@terra.com.br, pois as vagas sao limitadas


Dia 24 de setembro - IX Edição do Café com Debate - Tema: "Aborto uma questão de saúde pública" - exposição: Dra Alaerte Leandro.
Local - Espaço Cultural do SEEB Curitiba - Rua Piquiri, 380
Horário - 17:30h às 19h


28 de setembro - audiência pública - Plenarinho a confirmar

sábado, 12 de setembro de 2009

4ª Verdurada Curitiba

Este Domingo - 13/09

15h
(chegue cedo) - Entrada: $7

Local: CELU (Casa do Estudante Luterano)
Rua Carlos Cavalcanti, 239 (em frente ao Passeio Público)

Bandas:
Discarga (SP)
Positive Youth (SP)
Onde eu me Encaixo? (GPVA)
BITCH (GPVA)
Through the Storm

Debate:
"Hardcore e Política - Problema seu ou problema nosso?"
Proponente: Rodrigo Ponce


Jantar VEGetariANO grátis no final - Por favor, sem bebidas e cigarros
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Um pouco sobre o que orienta o Coletivo este mês e reuniões

Amanhã realizaremos mais uma reunião do coletivo, que está aberta para todas ajudarem a construir. Estamos tendo cada vez mais interessadas e além de discutir propostas práticas, estamos realizando nossas leituras formativas para ajudar a entender, projetar e definir nossas estratégias de atuação.

Semana passada foi lida a introdução do livro da feminista Marilyn French, "A Guerra contra as Mulheres", onde ela faz uma breve retomada das origens e hipóteses sobre a dominação à mulher,o surgimento dos movimentos sociais e ecológicos, a exploração do trabalho feminino e a desigualdade, a dificuldade de provar a discriminação da mulher (por naturalizada que está) e o ataque ao corpo feminino em todas as culturas. Um bom texto de sensibilização e tomada de consciência.

NOSSA ORGANIZAÇÃO:

Vemos a necessidade de priorizar taticamente, neste primeiro momento, enquanto grupo, a propaganda feminista e a prática educativa e conscientizadora. Por primeiro entendemos defender o feminismo (e não o anarquismo ou o marxismo) enquanto ideologia que realmente traria as respostas e a forma de organização para mulheres, dentro de seus termos e sua experiência. Assim, levar o que este tem a dizer sobre divisão de trabalho, revolução social ou ecologia. A segunda entende poder fazer a tomada de consciência possibilitada pelo feminismo ser analisada pelas mulheres na leitura pessoal que faça de suas contradições cotidianas, que possa levar a uma mobilização e engajamento. O Feminismo deve buscar inquietar as Mulheres. A resposta só pode ser dada por nós mesmas, pois somos as protagonistas de nosso movimento de libertação que está intimamente relacionado com a libertação de todas demais formas de opressão e do próprio ecossistema em geral.

Um pouco de História -

A mais antiga divisão de trabalho é a divisão de gêneros homem x mulher que, no discurso dominante, é justificada tomando por base a suposta naturalidade da função reprodutiva da mulher, quando na história (claro, se estudamos nossas referências e não o que os homens da esquerda querem que a gente ache da causa da nossa opressão) vemos se tratar de um processo de conquista que se efetivou na tomada dos corpos das mulheres, através do controle sobre sua capacidade de gerar. Assim, o discurso da naturalização da maternidade social vem para garantir o trabalho gratuito da mulher; primeiro aos Patriarcas primordiais, depois ao Estado (que nada mais é que a organização da primeira Supremacia Masculina e sua pepetuação até os dias de hoje), que cuida e gera seus cidadãos já que é incumbência 'natural' ou parte gratificante da 'feminilidade'.

Esse processo de conquista tem impactos ambientais concomitantes, uma vez que se repete com as mulheres o que o imperialismo (masculino/falocrático) faz com as terras (ou se repete com as terras o que homens fazem com mulheres?), e aí também entrando a domesticação dos animais e a invenção do regime carnívoro. Isso pelo simples fato de que os primeiros homens guerreiros (o primeiro ensaio de uma casta militar) vêem na Natureza a Mulher, a origem que querem repudiar, a Imanência que querem Transcender (categorias usadas por Simone de Beauvoir com base em sua influência por parte da filosofia existencial-fenomenológica). Os homens inventam o 'Outro' para se instituírem como o Mesmo. Nesse processo vai violência, pois se trata de uma disputa de poder:

"A caça deu a eles uma posição na sociedade e uma base para a solidariedade. Mesmo depois que se percebeu o papel do homem na paternidade(...)a situação social permaneceu a mesma. (...) Como a única base para a solidariedade masculina é a oposição à mulher e porque sua finalidade é substituir o vínculo primitivo com a mãe, a quem os homens associavam qualidades essenciais à vida - nutrição, compaixão, suavidade e amor -, construir a solidariedade masculina sempre acarretou uma forma de brutalização. Os ritos de iniciação ensinam os meninos a desprezar e erradicar características 'femininas', substituindo-as por dureza, renúncia (não abnegação), obediência e deferência por homens superiores. Eles criam um vínculo diferente do amor, um instrumento para o bem 'mais importante', um objetivo transcendente - o poder. Muitos ritos de puberdade exigem especificamente que os homens rejeitem as mães e, com elas, o mundo 'feminino' ". (Marilyn French, A Guerra contra as Mulheres)

"Sua atividade [do guerreiro] tem outra dimensão que lhe dá sua suprema dignidade, e ela é amíude perigosa(...) Não é dando a vida, é arriscando-a que o homem se ergue acima do animal; eis porque na humanidade a superioridade é outorgada não ao sexo que engendra e sim ao que mata" (Segundo Sexo, pg 84)


Andreé Michel em 'O Feminismo: uma abordagem histórica' diz, contudo, que a divisão de trabalho 'primitiva' (coleta e caça) não pode se dizer suficiente para determinar relações de poder ou instituição de classes sociais. Pelo contrário: da era Paleolítica até a Segunda Revolução Neolítica as relações eram marcadas por flexibilidade nessas divisões de tarefas e por cooperação. Vestígios arqueológicos não trazem indícios de guerras. Diferentemente das alegações de Levi-Strauss, a dita 'troca de mulheres' entre os clãs nesse período se tratava de vínculos de paz entre estes, também sendo os homens 'trocados', numa espécie de casamento primordial. A idéia de uma origem do Patriarcado tão somente no surgimento das classes guerreiras acaba por repetir as análises androcêntricas da História. É preciso discriminar o marco real do surgimento de sociedades de exploração como sendo a instituição da Propriedade Privada.

Assim mesmo, essa forma de relação com a existência demonstrada por Beauvoir e essa nova forma de identidade através da dialética com um Outro objetificado (mudança esta que tem primeiro suas origens na mudança na economia material da sociedade que exige determinada superestrutura ideológica) implica numa mudança também no se relacionar com os recursos naturais e humanos: os homens utilizam-se eles como forma de extender seus domínios. O sistema latifundiário, que esgota a terra e nela despeja insumos agrícolas como se fosse coisa passiva, é muito parecido com o processo de violência sexual que se mantêm atraves dos tempos - seja por guerras, pela epidemia de abuso sexual e incestos, pela Prostituição e Tráfico Internacional ou pela Pornografia -, numa necessidade de manter a mulher como categoria definida como subordinada e objetificada:

"Já verificamos que, quando duas categorias humanas se acham em presença, cada uma delas quer impor à outra sua soberania; quando ambas estão em estado de sustentar a reivindicação, cria-se entre elas, seja na hostilidade, seja na amizade, sempre na tensão, uma relação de reciprocidade. Se uma das duas é privilegiada, ela domina a outra e tudo faz para mantê-la na opressão. Compreende-se pois que o homem tenha tido vontade de dominar a mulher. Mas que privilégio lhe permitiu satisfazer essa vontade?" (Simone de Beauvoir, O Segundo Sexo, vol. I, pag 81, Editora Nova Fronteira, 1980)

Só se pode defender e manter uma posição de Poder tomada às custas de alguém ou de algum povo com o mesmo recurso que se usou para tomar esse Poder: com força. Força militar, jurídica, institucional, ideológica e religiosa. Está inventado o Patriarcado, o regime da Supremacia Masculina, assim como os exércitos e outras formas de emprego de violência rotineira (os quadros de violência contra a mulher não são senão 'epidêmicos' como apontam as analises feministas, mas sim compulsórios à manutenção da dominação masculina e extração do trabalho feminino, mantendo uma classe toda obediente e temente), a Heterosexualidade Compulsória e Monogamia, a religião Monoteísta e as Leis.




A falta de Solidariedade entre Mulheres e a raíz disso -


Assim sendo, a opressão da mulher não acaba com o Capitalismo como pregam ideologias que intentam transformar a luta da mulher em mais uma 'questão específica' ou 'movimento dentro' de algo mais amplo, ou até mesmo uma versão de uma teoria-pai (marxista, anarquista), chegando a nos acusar de pautarmos algo mesquinho ou não pensar 'nos trabalhadores'. Como Beauvoir aponta em seu livro de 1948 e marco da 2a onda feminista, as mulheres estão divididas pelas classes sociais: "Não têm passado, não têm história, nem religião própria; não têm, como os proletários, uma solidariedade de trabalho e interesses; não há sequer entre elas essa promiscuidade espacial que faz dos negros dos EUA, dos judeus dos guetos, dos operários de Saint-Denis, ou das fábricas Renault uma comunidade. Vivem dispersas entre os homens, ligadas pelo seu habitat, pelo trabalho, pelos interesses econômicos, pela condição social a certos homens - pai ou marido - mais estreitamente que as outras mulheres. Burguesas, são solidárias dos burgueses e não das mulheres proletárias; brancas, dos homens brancos e não das mulheres pretas. O proletariado poderia propor-se o trucidamento da classe dirigente; um judeu, um negro fanático poderiam sonhar com possuir o segredo da bomba atômica e sonhar em compôr uma humanidade inteiramente judia ou negra: mas mesmo em sonho a mulher não pode exterminar os homens. O laço que as une a seus opressores não é comparável a nenhum outro" (O Segundo Sexo, pg 13). Estejam onde estiverem, as mulheres são o "proletário do proletário", mas somos impedidas de tomarmos uma consciência de classe 'feminista', sendo logo acusadas de divisionistas ou 'femistas', tensionadoras de casamentos e cruéis, sendo isso também uma forma de perseguição política.


Lutar a partir de nós mesmas -


O Feminismo nos leva a concluir que o Capitalismo não passa de mais uma expressão da organização da sociedade que fundamentalmente é Patriarcal, e que passou a se estruturar, embora já tenha seus fundamentos no acúmulo primitivo e na propriedade privada, a partir do século XVII e XVIII, mas como a mais antiga forma de dominação é a dos homens sobre as mulheres - processo esse que não foi jamais dado pela natureza ou por qualquer condição natural e que também não aconteceu sem resistência, e os dados de violência contra mulheres nos dão alguma idéia da dificuldade de conter tal grupo submetido - Capitalismo, Racismo, Sexismo, Especismo, Etarismo e qualquer forma de relação hierárquica e de poder desigual tem sua inspiração na Supremacia Masculina e derivou desta, como mecanismos inter-dependentes de opressão que operam junto para garantir as relações sociais presentes, a privilegiar um grupo minoritário detentor impróprio dos meios de vida de todos viventes. Eis porque não podemos ter a ilusão de combater apenas uma em particular; precisamos ser solidárias a todas lutas que de alguma forma estejam também nas linhas de combate, resistência e ameaça ao Patriarcado-Capitalismo posto:

"As distinções de classe são uma extensão do domínio masculino como tal, e não apenas dividem as mulheres pelas linhas econômicas, senão também servem para destruir os vestígios de antiga força matriarcal das mulheres" (Charlotte Bunch & Nancy Myron,"Class and Feminism" IN Hacia una Teoria Feminista del Estado, Catherine Mackinnon).


Para pensar e chegar a mais respostas sobre essas questões, VENHAM PARA NOSSAS REUNIÕES DE ESTUDOS NAS PRÓXIMAS SEMANAS, que terão por objetivo a retomada histórica desses acontecimentos.


*Postado por J., que acabou se bagunçando com os logins. A postagem não representa a posição de todas no coletivo e também não há consenso entre historiadoras e feministas sobre a origem das sociedades de opressão.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Informes para esta semana

Hoje, 10 de setembro

A União Brasileira de Mulheres (UBM) convida todas para debate com a militante feminista Analba Brazão, secretária executiva da Associação Brasileira de Mulheres, na Rua Westphalen, nº 15 – Cj. 1601, às 16h, onde seremos recepcionadas com um agradável “lanche”.

"Esse encontro tem por objetivo esclarecer os objetivos e motivações da AMB, para aquelas que ainda não a conhecem, atualizar informações para as feministas já integrantes e promover diálogos para eventuais alianças e parcerias nas frentes de lutas da AMB.

Os conteúdos da reunião :
- um pouco da origem e trajetória,
- política geral da AMB hoje ( forma de atuar, forma de organizar as ações, prioridades)
- distribuição de documentos para leitura a posteriori pelas pessoas ( carta de principios e política geral)
- processo de construção do segundo encontro,
- debate/informes sobre as lutas, frentes de lutas.

Para o sucesso da reunião, contamos com a presença de todas."

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

It's a Big Fat Revolution: Nomy Lamm


Naomi Elizabeth Lamm, ou apenas Nomy Lamm, é uma ativista política, cantora, compositora, musicista, escritora, dramaturga, lésbica, judia, gorda e que só tem um pé.

"A badass, fat ass, dyke amputee", em suas próprias palavras.

Nomy co-escreveu a ópera "The Transfused", lançou dois álbuns ("Anthem" e "Effigy"), publicou um zine chamado "My Body Is Fucking Beautiful" entre vários outros projetos que incluem livros, peças, palestras, aulas de canto (Nomy acredita que todos têm a capacidade para cantar, mas muitos não conseguem achar o jeito certo de lidar com a própria voz) e projetos relacionados à positividade em relação ao corpo, o combate à opressão de gordxs e amputadxs e também ao que for relacionado ao queer ao punk e ao feminismo em geral.

Em 95, Nomy escreveu um ensaio extremante pessoal (como a maior parte de seu trabalho), que fala sobre a satanização que uma pessoa gorda (em especial a mulher) sofre na sociedade e de como o feminismo e o meio punk acabam lidando com isto, às vezes de maneira libertadora e às vezes até mesmo opressora.
Ei-lo, numa tradução livre e despreocupada, mas que acredito transmitir a sinceridade e as ideias pretendidas por ela:

It's a Big Fat Revolution
por Nomy Lamm

Vou escrever um ensaio descrevendo minhas experiências com opressão contra o corpo gordo e as maneiras com as quais o feminismo e o punk tem influenciado meu trabalho. Será claro, conciso e bem elaborado, e será exposto como artigo tese básico, no formato acadêmico. Vou lidar com estas questões de forma madura e intelectual. Vou me vangloriar com palavras difíceis sempre que possível.

Eu menti. (Você provavelmente sacou essa, hein?) Não posso fazer isto. Esta é a minha vida, e minhas palavras consistem na mais eficiente ferramenta que possuo para confrontar esse mundo-de-garotos-brancos (este é o meu jeito punk e bonitinho mas oh-tão-revolucionário de dizer "patriarcado"). Se tem uma coisa que o feminismo me ensinou, foi que a revolução será nos meus termos. A revolução será incitada pela minha voz, pelas minhas palavras, não pelas palavras do universo de intelecto masculino que já existem. E eu sei que um cambau de muito do que eu digo é totalmente contraditório. Minhas contradições podem co-existir, porque elas existem dentro de mim, e eu não vou simplificá-las para que elas possam caber no padrão linear e analítico em que eu sei que elas deveriam caber. Eu acho que é importante reconhecer que essa coisa toda realmente contribui com a revolução, de verdade. O fato de eu escrever assim porque é o jeito que eu quero escrever faz desse mundo simplesmente mais seguro para mim.

Quero explicar o que eu quero dizer quando falo "a revolução", mas não tenho certeza se vou conseguir. Porque ao mesmo tempo em que estou sendo totalmente séria, eu também vejo o meu uso do termo como gozação com ele mesmo. Parte da razão para isso é que eu estou completamente ciente de que eu ainda faço parte da cultura dominante de várias maneiras. A revolução poderia muito bem ser feita contra mim, ao invés de ao meu favor. Eu não quero me fazer soar como se eu fosse a mais oprimida, mais punk-rock, mais revolucionária das pessoas no mundo. Mas ao mesmo tempo eu acho que revolução é uma palavra que eu deveria usar o mais frequentemente possível, porque é um conceito do qual eu preciso estar consciente. E eu também não quero dizer de um jeito abstrato nem intelectualizado. Eu realmente acho que a revolução começou. Talvez não seja aparente na cultura mainstream ainda, mas eu vejo isto como um bom sinal. Assim que a cultura mainstream perceber essa revolução, ela tentará cooptá-la.

Por ora a revolução acontece quando eu passo a noite toda acordada falando com minhas melhores amigas sobre feminismo e marginalização e privilégio e opressão e poder e sexo e direito e rebelião da vida-real. Por ora a revolução acontece quando eu vejo uma garota se posicionar de frente para uma multidão e relatar a todxs sobre seu abuso sexual. Por ora a revolução acontece quando eu recebo uma carta de uma garota que eu nunca conheci e que diz que o zine que escrevi mudou a sua vida. Por ora a revolução acontece quando os sem-teto daqui acampam por uma semana no meio do centro da cidade. Por ora a revolução acontece quando sou confrontada por umx amigx sobre algo racista que eu disse. Por ora a revolução acontece na minha cabeça quando eu vejo o quão brilhantes minhas amigas e eu somos.

E estou vivendo a revolução por meio de minhas memórias e por meio da minha dor e dos meus triunfos. Quando penso sobre todas as marcas que possuo cravadas por essa sociedade, eu fico maravilhada por não ter me tornado um monte de merda inútil. Fatkikecripplecuntqueer, em poucas palavras. Mas aí eu tenho que levar em conta o fato de que sou articulada, branca, uma garota educada, de classe média, e que isso me concede uma pancada de privilégio e oportunidade de lidar com a minha opressão que pode não estar disponível para outras pessoas oprimidas. E desde que minha personalidade e meu ser não estão dividos em parte privilegiada e parte oprimida, tenho de lidar com as maneiras com que essas duas partes interagem, se equivalem e às vezes até se ofuscam. Por exemplo, eu nasci com apenas uma perna. Acredito que seja grande coisa, mas que nunca influenciou minha imagem corporal do mesmo jeito que ser gorda influenciou. E o que significa ser uma mulher branca em oposição a uma mulher de cor? Uma garota gorda de classe média comparada a uma garota pobre e gorda? O que significa ser gorda, fisicamente inapacitada e bissexual? (Ou gorda, incapacitada e sexual, num todo?)

Veja, claro, ainda sou uma pessoa de verdade, e não estou sempre a vontade com o papel de revolucionária. Às vezes já é difícil o suficiente pra mim simplesemente sair da cama pela manhã. Às vezes é dificil o suficiente simplesmente falar com as pessoas, sem ter que lidar com as nuances políticas de tudo o que sai de suas bocas. Sem contar o fato de que eu faço toneladas de trabalhos em relação à opressão de gordxs, e que eu tenho trabalhado tão tão duro na minha imagem corporal, quando existem situações em que eu realmente odeio meu corpo e não quero lidar com ser forte o tempo todo. Porque eu sou forte e tenho pensado essa questão de tantas maneiras diferentes, e eu realmente tenho uma autoestima naturalmente elevada, cheguei num ponto onde posso dizer honestamente que amo o meu corpo e que sou feliz sendo gorda. Mas ocasionalmente, quando me olho no espelho e vejo esse corpo que é tão diferente dos das minhas amigas, tão diferente do que me disseram de como ele deveria ser, eu quero me esconder e nunca mais lidar com isso de novo. Nesses momentos não me parece justo que eu tenha sempre que lutar para ser feliz. Não seria mais fácil simplesmente desistir e partir para outra dieta para que eu possa parar com esta luta permanente? Então eu poderia ainda apoiar a fat grrrl revolution sem que me afetasse pessoalmente em todos os sentidos. E eu sei, eu sei eu sei que não é a resposta e que eu nunca faria isso comigo mesma, mas eu não posso dizer que é algo que nunca passou pela minha cabeça.

E não ajuda muito quando minhas amigas e minha família, que sabem como eu me sinto em relação a isto, continuam a fazer declarações anti-gordas e reclamando do quão gordas elas se sentem e mencionando novas dietas das quais ouviram a respeito e que estão morrendo para experimentar. "Estou parecendo uma melancia." "Uau, estou tão feliz, agora eu visto tamanho sete ao invés de nove." "Gosto deste espelho porque ele me faz parecer mais magra".

Não consigo entender como elas ainda podem pensar desse jeito quando eu estou constantemente falando destes assuntos, e não acredito que elas achem que seja o tipo de coisa ok para se falar na minha frente. E não é como se eu quisesse censurar suas conversas perto de mim.. Eu só não quero que elas pensem dessa maneira. Eu sei que a maior parte disto reflete o jeito que elas se sentem em relação a elas mesmas e que não é a intenção me atacar ou invalidar o meu trabalho, mas isto faz com que seja muito mais difícil para mim. Isto coloca todos esses pensamentos dentro de mim. Hoje eu estava parada fora do trabalho quando eu vi um reflexo meu numa janela e pensei "Ei, eu não pareço tão gorda!" e eu imediatamente percebi o quão ferrada essa ideia era, mas que nem por isso me fez parar de me sentir mais atraente.

Eu quero isso fora de mim, não faz parte de mim, e teoricamente eu posso separar tudo e jogar fora toda a merda, mas ela nunca vai embora de verdade. Quando isto vai acabar finalmente? Quando poderei mudar para outras questões? Nunca vai acabar, e isso é muito difícil de aceitar.

Estou sobrevivendo neste sistema de opressão através de minhas memórias, e até mesmo quando não estou pensando a respeito, elas estão lá, influenciando tudo o que eu faço. Cinco anos de idade, minha primeira dieta. Sete anos, sendo declarada oficialmente "acima do peso" por pesar cinco quilos a mais do que uma criança "normal" de sete anos de idade deveria pesar. Dez anos de idade, aprendendo a passar fome de propósito e ser feliz me sentido constantemente tonta. Treze anos de idade, passando do limite que me faz ser maior do que minhas amigas para ser de fato "gorda". Quinze anos, ouvindo os garotos na sala ao lado falar sobre o quão gorda (e logo, não atraente) eu sou. Sempre que me apresento, eu me lembro quando meu pai dizia que ele não gostou da coreografia que eu fiz porque eu parecia gorda enquanto dançava. Toda vez que pinto o meu cabelo eu lembro quando minha mãe não me deixava tingir o cabelo na sétima série porque ver gente gorda de cabelo pintado fazia com que ela pensasse que elas estavam apenas tentando acobertar o fato de que eram gordas, tentando parecer interessantes a despeito disso (quando claro que é óbvio que é o que elas realmente devem fazer se elas querem parecer atraentes, certo?) E essas são grandes lembranças para as quais eu posso apontar e dizer, "Isso dói." Mas e o que dizer de toda uma vida de mídia a qual eu fui exposta que me diz que só pessoas magras são amáveis, saudáveis, bonitas, talentosas, divertidas? Eu sei que estas mensagens estão lá, guardadas junto com o resto de minhas lembranças, mas eu simplesmente não posso rotular nem a elas nem aos efeitos em minha mente. Eles são elusivos e não necessariamente causam dor na hora. Eles estão bem disfarçados e amiúde parecem sedutores e românticos. (Nunca vou me apaixonar porque eu não posso ser levantada e girada no ar por ninguém...)

Por toda a minha vida a mídia e todos ao meu redor me disseram que ser gorda é feio. O que claro é apenas um padrão cultural que tem muitas, muitas mentiras médicas as quais recorrer. Estudos mostram que pessoas gordas não são saudáveis e tem baixa expectativa de vida. Estudos também mostram que pessoas famintas tem essas mesmas particularidades. Estes riscos de saúde para as pessoas gordas provam ser um resultado de contínua inanição -- regimes -- e não de serem gordas por si só. Eu não sou gorda devido à falta de força de vontade. Sou vegetariana desde os dez anos. Controlar o que eu como é fácil pra mim. Passar fome não é (apesar de que pela maior parte da minha vida eu desejasse que fosse). Meu corpo é para ser assim, e eu estive em um monte de regimes nos quais eu perdi peso por um período de vários meses e depois ganhei tudo de volta. Há dois anos eu finalmente acabei com esse ciclo. Não faço mais dietas para emagrecer porque eu sei que é assim que o meu corpo é para ser, e é assim que eu quero ser. Ser gorda não me faz ser menos saudável ou menos ativa. Ser gorda não me faz menos atraente.

Vejo na TV uma mulher magra dançando com um rapaz espetacularmente bonito, e sobre esta cena eu ouço, "Nunca fui feliz até ir para o [preencha o espaço vazio com algum programa de emagrecimento], mas agora eu recebo toda a atenção dos homens e eu me sinto tão bem! Não tenho que me preocupar com o que as pessoas dizem a meu respeito pelas minhas costas, porque eu sei que estou bonita. É um dever seu se dar a vida que você merece. Ligue para [preencha o espaço vazio com algum programa de emagrecimento] e comece a perder cinco quilos imediatamente!" A televisão me mostra um close-up de uma garota gorda aos prantos que diz "Eu tentei de tudo, mas nada funciona. Eu perco dez quilos, e ganho onze. Me sinto tão envergonhada. O que posso fazer?" A primeira vez que vi esse comercial eu comecei a chorar e memorizei o número na tela. Eu conheço esse sentimento de vergonha. Eu conheço o sentimento de não ter mais o que tentar, de sentir que sou inútil por não conseguir perder toda aquela "gordura indesejada". Mas eu sei que a infelicidade não é um resultado do fato de eu ser gorda. É um resultado da sociedade que me diz que por ser assim, sou ruim.

Onde está a revolução? Meu corpo é lindo, e toda vez que me olho no espelho e percebo isto, estou contribuindo com ela.

Sinto que, nesse ponto, se espera que eu tente provar a você que ser gorda pode ser lindo, com descrições de "coxas com estrias e traseiros grandes e macios". Não vou fazer isso. Não cabe a mim convencer ninguém de que ser gorda porde ser atraente. Me recuso a ser auto-intitulada a rainha do pornô tamanho grande. Você tem que descobrir por si só.

Não é o suficiente você me dizer que "não julga por aparências" -- então ser gorda não lhe incomoda. Ignorar seus corpos e "julgar apenas o que está dentro de nós" não é a resposta. Isto parece acompanhar a mesma linha de raciocínio daquela brilhante escola de pensamento chamada "humanismo": "Nós somos todxs pessoas, então vamos ignorar trivialidades como raça, classe, gênero, preferência sexual, tipo físico e assim por diante". Besteira! Quanto mais ignoramos estes aspectos de nós mesmos, mais vergonhosos eles se tornam e maior é a expectativa de de ser o que geralmente é imposto quando esses atributos não são dados -- branco, hetero, rico, magro, macho. É ilusório tentar fazer vista grossa para essas diferenças exteriores (e logo insignificantes, certo?), porque nós ainda estamos sofrendo lavagem cerebral com a mesma porcaria que todo mundo. Desse jeito nós só estamos não falando a respeito. Eu não quero que me digam, "Sim, você é gorda, mas você é linda por dentro". É apenas mais um jeito de me dizer que sou feia, que de jeito nenhum eu sou bonita por fora. Ser gorda não é igual a ser feia, não me venha com essa. Meu corpo sou eu. Eu quero que você veja meu corpo, conheça meu corpo. A verdadeira revolução vem não de quando a gente aprende a ignorar nossa gordura e fingir que não somos diferentes, vem de quando aprendemos a usar isto em nosso favor, quando aprendemos a desconstruir todos os mitos que propagam o ódio axs gordxs.

Minhas amigas magras são constantemente reconhecidas pelo feminismo mainstream enquanto eu sou ignorada. A mentalidade mais difundida em relação à imagem corporal é algo do tipo: Mulheres se olham no espelho e pensam, "Eu sou gorda", mas elas não o são realmente. De fato elas são magras.

De fato elas são magras. Mas eu sou, de fato, gorda. De acordo com a teoria feminista mainstream, eu sequer existo. Eu sei que mulheres frequentemente se olham no espelho e pensam que são maiores do que são. E sim, é um problema. Mas a análise não pode parar por aí. Há mulheres que são gordas, e é preciso lidar com isto. Ao invés de simplesmente confortar as pessoas, "Não, você não é gorda, você é apenas curvilínea," talvez devêssemos desmistificar o ser-gorda e lidar com a situação como um todo. E eu não quero dizer talvez, quero dizer que é uma necessidade. Uma vez que percebemos que ser gorda não é "inerentemente ruim" (e eu não posso nem acreditar que estou escrevendo isto -- "inerentemente ruim" -- soa tão ridículo), então poderemos trabalhar o probelma como um todo ao invés de lidar apenas com uma parte insignificante dele. Todas as formas de opressão trabalham juntas, portanto elas devem ser combatidas juntas.

Acredito que muitas autoras do feminismo mainstream que dizem lidar com este assunto o estão fazendo de um jeito muito errado. Susie Orbach, por exemplo, com "Gordura é uma questão feminista" (Fat Is A Feminist Issue) nos diz: Não faça regime, não tente perder peso, não alimente a indústria da dieta, mas aí ela prossegue e diz: Mas se você se alimentar bem e se exercitar, você perderá peso! E eu sinto que é ótimo, legal, é tão maravilhoso que tenha funcionado para ela, mas ela não entendeu do que se trata. Ela está tentando ajudar as mulheres, mas na real está nos machucando. Nos machucando porque ela está dizendo que ainda só há um corpo que é bom para nós (e ela é quem vai nos ajudar a alcançá-lo!) É quase como aquela mulher do "Chega de Neura!" (Stop The Insanity), Susan Powter. Uma de minhas amigas leu o livro dela e disse que a primeira metade toda trata de opressão contra o corpo gordo e diz como é difícil ser gorda em nossa sociedade, mas aí ela diz: Então siga minha nova dieta! Esse tipo de coisa mexe tanto com nossas emoções que pensamos, "Uau, essas pessoas realmente me entendem. Elas sabem de onde vim, então devem saber o que é melhor para mim".

E existem então tantas razões "liberais" para perpetuar o ódio axs gordxs. Sim, nós finalmente descobrimos que regimes nunca funcionam. Como, então, devemos explicar esta montruosidade horrorosa? E como podemos nos livrar dela? A nova visão "liberal" em relação à gordura é de que ela é causada por distúrbios psicológicos profundos. A infância dela foi ruim, ela foi abusada sexualmente, então ela come e fica gorda para que possa se esconder de tudo. Ela usa a sua gordura como um escudo protetor. Ou talvez quando ela era pequena, seus pais fizeram com que associasse comida com amor e conforto, então ela come como consolo. Ou então, como aconteceu comigo, seus pais sempre estavam fazendo dietas para emagrecer e sempre a importunando em relação ao que estava comendo, e aí a comida se tornou algo do qual se envergonhar e que deve ser escondida e mantida em segredo. E por um bom, bom tempo eu realmente acreditei que se meu pais não tivessem me infundido com todas essas atitudes de merda em relação à comida, eu não seria gorda. Mas foi aí que percebi que tanto meu irmão quanto minha irmã cresceram exatamente no mesmo ambiente que eu, e ambos são magros. Obviamente não é a razão pela qual eu sou gorda. Terapia não vai ajudar em nada, porque não há nada para ser curado. Quando vamos parar de nos agarrar a motivos para odiar gente gorda e perceber que a gordura é totalmente normal e uma coisa natural que não deveríamos nos livrar dela?

Fora o que eu disse antes sobre minhas amigas falarem coisas que realmente doem em mim, eu percebo que elas são, na real, bastante fora do comum. Não quero fazer parecer que elas sejam negligentes, pessoas ignorantes. Eu estou constantemente tratando desses assuntos e sinto que eu geralmente tenho a capacidade de confrontar minhas amigas quando elas agem insensivelmente, e elas vão entender ou ao menos tentar. Às vezes quando saio do meu círculo isolado de amigxs eu fico chocada com o "mundo real". Ouço garotos no ônibus referindo-se às suas namoradas como se fossem suas "putas", vejo mulheres gordas sendo alvo de importunações nas ruas, assisto TV e vejo como cada pessoa gorda é retratada como uma idiota obsessiva por comida, vejo mulheres tratadas como propriedade de homens que vêem a masculinidade como direito de poder... Eu deixo estas situações sentindo que a cena punk, na qual a maioria das minhas interações acontecem, é um abrigo. Eu não posso me imaginar vivendo numa comunidade onde eu não tenho para onde ir em busca de apoio. Não posso me imaginar vivendo no "mundo real".

Mas aí eu tenho de lembrar que estas situações ainda estão lá, na minha comunidade -- as mesmas atitudes ferradas são disseminadas no meio punk também; elas apenas tomam uma forma mais sutil. Sinto como se estas questões estão finalmente começando a ser reconhecidas e trabalhadas, mas o ódio axs gordxs é ainda um padrão. Claro que todo mundo concorda que não devemos fazer regime e que os distúrbios alimentares resultam de nossa sociedade repressora, porém geralmente a coisa não é levada muito além disso. Parece que as pessoas têm essa idéia de que o punk é desligado da mídia. Isso porque somos essa cultura cool e underground, somos imunes aos sistemas de opressão. Ainda assim, os mais legais, mais punks são os jovens magrxs. E os mesmos jovens legais que curtem tanto desafiar a "Amerika" capitalista são os que dizem que a gordura é o símbolo da riqueza e da ganância do capitalismo. Aham, é um jeito novo e diferente de pensar: Culpe a vítima. Espalhe a opressão institucionalizada. Pessoas gordas não são as que estão oprimindo esses pobres garotos emos e magrelos.

Este texto é para ser sobre opressão ao corpo gordo. Sinto como se fosse disso que eu sempre falo. Às vezes sinto que toda minha identidade se encerra na minha gordura. Quando estou inteiramente consciente de que sou gorda isto não pode ser usado contra mim. Fora do meu grupo seleto de amigos, em situações hostis, estou constantemente ciente de que a qualquer momento posso ser importunada. A menor das discussões com outra pessoa pode levar a um bombardeio de insultos ao meu corpo. Estou sempre pronta para isso. Descobri que isto não acontece tanto quanto eu esperava que acontecesse, mas ainda assim sempre fico atenta às possibilidades. Eu sou "a Garota Gorda." Eu sou "a Garota Que Fala De Opressão". Dentro do meio punk, é o meu escudo protetor. As pessoas me conhecem e conhecem o meu trabalho, então eu presumo que elas não vão rir do meu corpo pelas minhas costas. E se elas rirem, aí eu sei que terei apoio de outras pessoas ao meu redor. A cena punk me concede um monte de apoio que eu sei que eu não conseguiria em qualquer outro lugar. Sou capaz de publicar zines, fazer música, performances de spoken-word que são intensamente pessoais para mim. Eu me sinto realmente forte por não manter nada em segredo. Eu posso regredir ao velho clichê de que o Pessoal é Político, e não importa o quão banal isso possa soar, é a verdade. Passei tanto tempo sem nunca falar sobre ser gorda, de como isso afeta a minha auto-estima, sem nunca falar sobre as maneiras pelas quais eu sou oprimida por esta sociedade. Agora estou falando. Estou falando o tempo todo, e as pessoas me ouvem. Eu tenho apoio.

E ao mesmo tempo eu sei que tenho de ser cautelosa em relação a este apoio que recebo. Porque eu acho que para algumas pessoas isso é apenas visto como uma coisa legal, que ao me apoiar elas estão, de certa forma, recebendo um tanto de reconhecimento dentro do meio punk. Mesmo que eu seja totalmente aberta e não mantenha segredos, eu tenho que me proteger.

Esta é a revolução. Eu não entendo a revolução. Não posso colocar tudo no preto e no branco e dizer o que revolucionário e o que não é. A cena punk é revolucionária, mas não dentro dela, ou por ela mesma. Feminismo é a revolução; é solidariedade assim como é crítica e confrontação. Está é a fat grrrl revolution. É minha, mas não me pertence. Fuckin' yeah.

© Nomy Lamm 1995. Retirado do livro Listen Up: Voices From The Next Feminist Generation, editado por Barbara Findlen e publicado pela Seal Press.

Visite o site oficial de Nomy: www.nomylamm.com (em inglês)

Download dos álbuns:
Anthem, 1999: http://rapidshare.com/files/274829956/nomylamm_anthem1999.rar.html

Effigy, 2002: http://rapidshare.com/files/275259223/nomylamm_effigy2002.rar.html